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Política

Grupo se manifesta em Juiz de Fora contra reforma da Previdência

Integrantes de sindicatos, grupos sociais e organizações civis se reuniram na manhã desta segunda-feira (19) no Centro de Juiz de Fora. Eles protestaram contra a reforma da Previdência, em movimento conjunto em todo o país.

O grupo de juiz-foranos se concentrou na Praça da Estação por volta das 9h30 e o ato foi concluído às 11h20, sem passeata.

A Polícia Militar (PM) acompanhou o ato, mas não divulgou estimativa de participantes. De acordo com os organizadores do protesto, cerca de 300 pessoas participaram da manifestação.

Estiveram presentes representantes do Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Levante da Juventide, Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), sindicatos Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), dos Metalúrgicos, dos Trabalhadores Empresas Telecomunicações (Sinttel), dos Bancários e dos Correios. Conforme a organização, 21 representantes das diferentes categorias fizeram discursos durante o ato.

O Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (Sinpro-JF) também esteve no local e informou que as escolas municipais de Juiz de Fora funcionam nesta segunda em esquema de redução de jornada.

Segundo a diretora regional da CUT, Aparecida Oliveira, a manifestação desta segunda será um marco no Brasil.

“Esse movimento de mobilização é contra a reforma da Previdência. Nós não podemos deixar que mulheres e homens do campo e da cidade sejam apunhalados pelas costas com essa reforma que esse governo ilegítimo tenta colocar para votar. O ato de Juiz de Fora cumpriu o papel de denunciar e ser contra a reforma previdenciaria que é mentirosa e pela defesa da democracia", disse.

Ela também criticou a intervenção federal no Rio de Janeiro. “Eu diria que nós dos movimentos sociais, das centrais sindicais, Frente Brasil Popular, partidos de esquerda, temos que estar atentos à nossa luta e a qualquer outra tentativa do governo de golpear, porque nós estamos em um outro episódio do golpe, que já foi desenhado no país em 2016 e que vem no sentido de tirar os direitos da classe trabalhadora", afirmou.

O presidente da Regional Zona da Mata da CUT, Reginaldo de Freitas Souza, destacou a necessidade de manter pressão constante nos congressistas para evitar a aprovação da proposta.

"O governo não consegue número para aprovar a reforma da previdência por causa das nossas mobilizações. Então esse movimento é para continuar fazendo a denúncia dos deputados e senadores da nossa região que estão contra nós, votando a favor do empresariado. Esse movimento está acontecendo no Brasil todo, para poder pressionar os congressistas a não apoiar o Temer nessa reforma", afirmou.

O integrante da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Amarildo Romanazzi, ressaltou que o governo não pode transferir a conta da previdência para os trabalhadores.

"O que se precisa é que o governo controle melhor os gastos que tem feito. O governo quer atribuir esse débito em cima dos trabalhadores quando a gente sabe que são as grandes indústrias que devem à Previdência. Isso foi comprovado através da CPI. E mais uma forma do governo ilegítimo, golpista tirar direitos dos trabalhadores. As centrais estão se organizando para combater isso", comentou.

A representante da Marcha Mundial das Mulheres e do Sindicato dos Metalúrgicos, Laiz Perrut, considerou importante ter o ato mesmo com o adiamento da votação da proposta no Congresso.

"Desde março do ano passado, a gente tem feito mobilizações contra a reforma da Previdência e ela não foi votada até hoje. E a nossa expectativa é que, se for votada seja derrotada, porque os trabalhadores e a população não querem. É importante a gente sempre estar nas ruas e não sair porque a gente vai derrotar esta reforma", afirmou.

O vereador Roberto "Betão" Cupolilo (PT) foi um dos que discursaram durante o ato, ressaltando a necessidade de manter o foco nos desdobramentos vindos do Congresso.

"Nós estamos mantendo as categorias mobilizadas. É para a gente procurar demonstrar não só para a sociedade, mas principalmente para este governo golpista que a classe trabalhadora está se mobilizando contra essa proposta, que desmonta a previdência do Brasil inteiro e tenta transferir isso para a iniciativa privada", afirmou.

O presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) René Matos lembrou que as categorias tentam evitar ainda mais prejuízos para os trabalhadores.

"Temos que estar o tempo todo mobilizados e não pode ficar dependente não só do chamamento de lideranças da sociedade civil organizada, mas o povo tem que estar atento. O prejuízo é coletivo. Então é preciso que a gente esteja atento e fazendo ações o tempo todo para não perdermos mais direitos", analisou em entrevista ao G1.

Votação do projeto

A votação da reforma da Previdência estava prevista para esta semana, mas com a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, o Congressso não pode votar nenhuma alteração na Constituição.

Por se tratar de emenda à Constituição, o texto exige ao menos 308 votos, de um total de 513 deputados.

Os movimentos sindicais e sociais não aceitam as mudanças propostas pela reforma por considerá-las impeditivas ao acesso à aposentadoria, em especial após a aprovação e implementação da reforma trabalhista, que legalizou formas precárias de contratação de trabalho e de remuneração.