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Saúde

Jovem tem morte cerebral e médicos suspeitam de febre amarela; ele fez campanhas por transplante nas redes sociais

O jovem Luiz Fernando Valente Rodrigues, de 17 anos, que protagonizou uma campanha nas redes sociais em busca de um doador de fígado, teve morte cerebral constatada na madrugada desta segunda-feira (15).

A notícia foi dada à família horas antes do horário marcado para a cirurgia de implante do novo órgão que poderia salvá-lo, como mostrou o RJTV.

Os médicos que trataram Luiz dizem que os sintomas apresentados pelo jovem são típicos de febre amarela. A Secretaria de Estado de Saúde diz que esta é uma das suspeitas, mas que não descarta outros diagnósticos, como dengue. O exame que irá confirmar a presença do vírus causador da doença fica pronto em até 20 dias.

De março do ano passado até janeiro deste ano foram confirmados 29 casos de febre amarela no estado do Rio de Janeiro. Dez pessoas morreram vítimas da doença. Na semana passada, a primeira morte de febre amarela foi registrada em Teresópolis, na Região Serrana. Outros três casos suspeitos foram registrados em Valença, no interior do estado.

Luiz estava internado no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, Zona Norte do Rio. De acordo com a família, a morte cerebral foi constatada às 2h30, após hemorragia cerebral.

Um jato da Força Aérea Brasileira já havia seguido, na noite anterior, para Campo Grande, no Mato Grosso, para buscar o fígado que seria transplantado para o corpo do jovem. A cirurgia estava marcada para as 7h30.

Família do interior do RJ

A mãe de Luiz, a empresária Fernanda Iara Tavares Valente, contou que a doença evoluiu rapidamente. Ela enfatizou que o filho era um adolescente saudável. Foram apenas três dias entre o surgimento dos primeiros sintomas até a morte cerebral do garoto.

"O Luiz passou a quinta-feira jogando tênis. Sempre foi atleta, sempre praticou muito esporte. Ele começou com uma dor de cabeça, febre. Eu o levei para o hospital, depois ele começou a piorar. Saí da minha cidade [Miguel Pereira] e fui para outra cidade [Volta Redonda]. Diagnosticaram que as plaquetas estavam muito baixas”, disse.

A família mora em Miguel Pereira, no Sul Fluminense, e levou o jovem para o Hospital da Unimed em Volta Redonda. Com um quadro grave de hepatite, ele foi transferido para o Hospital São Francisco, na capital, onde os médicos determinaram que era preciso um transplante de fígado para salvá-lo.

Uma megaoperação foi montada para tentar salvar a vida do rapaz. Devido à gravidade do caso, Luiz se tornou o primeiro da fila nacional a espera de um órgão. O doador compatível foi localizado no domingo, no Mato Grosso.

Cinco horas antes do horário marcado para a cirurgia, Luiz apresentou intensa hemorragia. Os médicos consideraram o quadro irreversível.

“Se tivesse sido mais rápido, meu filho estaria vivo. Chega ao ponto de que estamos justamente aqui por causa da demora em um órgão”, lamentou a mãe do garoto.

Com novos casos registrados esse ano, e as mortes em São Paulo, novidades em relação à febre amarela ocuparam o noticiário nos últimos dias.

A principal delas foi a adoção da dose fracionada nos estados de São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro -- em que uma dose antes destinada a uma pessoa será dividida e aplicada a pelo menos quatro.

Não há motivos para alarde, mas o Ministério da Saúde está adotando ações preventivas e aumentando os municípios que receberão a vacina, já que grande parte da população não está imunizada.